Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Attention

«I am the author of my life. Unfortunately, I am writing in pen and can not erase my mistakes.» - Bill Kaulitz

Attention

«I am the author of my life. Unfortunately, I am writing in pen and can not erase my mistakes.» - Bill Kaulitz

twilight_pr

Feira do Livro 20201.jpg

Termina hoje, hoje é o último dia da minha querida e adorada Feira do Livro de Lisboa e, como sempre, decidi escrever sobre como o que achei desta beleza e aquilo tudo que estava à espera e não estava à espera.

Confesso que, quando esta coisa toda da Covid-19 começou cá em Portugal, eu estava completamente convencida de três coisas: 

não ia sair de casa durante muito tempo, nem que me pagassem;

não ia ver o Harry Styles ao vivo em maio;

não ia haver Feira do Livro de Lisboa em 2020.

Independentemente dos meus pensamentos, fiquei surpreendida quando a adiaram até finais de agosto e inícios de setembro. Fiquei surpreendida porque, again, pensei que não ia haver qualquer tipo de hipóteses de haver uma feira nestas condições. Ao longo do tempo, fiquei mesmo a pensar que acabaria por chegar à data e que não iria dar em nada.

27 de agosto chegou e eu... senti aquele friozinho na barriga. Sabia que estava pronta, sabia porque tinha andando por lá e sabia que eles a tinham montado ao longo daqueles dias. Estava a acontecer. No dia seguinte ao dia da feira, como sabem, fui de viagem para o Norte, mas decidi que tinha de aproveitar ao máximo logo no primeiro dia da feira! Quando voltasse, já estaríamos na última semana e eu queria mesmo ter mais do que um dia naquele paraíso. 

Assim sendo, o pai ouviu os meus caprichos e levou-me com a Pipa e a melhor amiga da mana mais velha atrás e fomos os quatro para lá. Não me contive, aquele friozinho na barriga estava lá, o coração a bater forte... aquele momento único em que se sente mesmo que não havia melhor sítio para se estar do que naquele mesmo sítio. Senti vontade de chorar quando entrei.

Senti vontade de chorar porque achei que seria realmente impossível para mim de estar lá no Parque Eduardo VII a festejar aquilo que são os livros e tudo o que envolve a literatura. Pensei que fosse impossível de o fazer em 2020. Senti vontade de chorar porque ali estava a minha casa, ali estava o sítio onde eu mais me sentia feliz.

Estamos em 2020 e claramente que com as mudanças os rituais também mudaram. Andámos a vaguear e acho que andei sempre atrelada ou ao pai ou à melhor amiga da mana mais velha, os mais velhs que me acudam porque sou claramente a pessoa que mais se ressente quando começa a ver gente a mais. Vimos se havia os livros que queríamos comprar, especialmente em tempo de Hora H e verificar se estava tudo nos conformes, ainda encontrei livros novos e até foi isso que comprei, mas já lá vamos. 

Fui um total de três vezes à Feira do Livro, ao contrário do ano passado que sei que fui para aí umas sete vezes. A redução deu-se especialmente pela a altura do ano ser a diferente, as férias no Norte e claramente o meu desconforto em apanhar transportes públicos ao ponto de não me conseguir meter no metro de Lisboa e os comboios ainda é outro assunto que estou a tentar combater.

Não se pode estar na feira sem máscara, independentemente de se dizer que está ao ar livro e concordo e aceito e apoio completamente a decisão. Irrita-me profundamente que, independentemente de ser um sítio aberto e de estar movimentado, a pessoa tira logo a máscara porque como está ao ar livre o ar circula. Fizeram-me isso no Jardim Zoológico na segunda vez que fui neste ano e fiquei mesmo frustrada. Uff... 

Feira do Livro 2020.jpg

Todas as bancas, ou quase todas elas, encontram-se prevenidas com gel desinfetante para que a pessoa se sinta minimamente confortável para poder mexer nos livros (que não serão vendidos, serem inteiramente para a exposição, para que se saiba o que está na feira). Graças a isso, nós as três (o pai ficou de lado) começámos a ser altamente críticas dos desinfetantes que por ali andavam. Nota-se que estamos em tempos de pandemia quando andamos a ver livros e a classificar desinfetantes enquanto temos uma máscara na cara. Os vencedores foram os desinfetantes da Saída de Emergência que chegaram a SABONETE e depois ainda temos os desinfetantes da Gradiva que claramente cheirava a amaciador para a roupa e daqueles bons!

A Feira do Livro estava bem condicionada, havia menos bancas e ainda menos zonas e tudo para nos sentarmos e especialmente menos zonas de comida. Estava tudo a menos, contudo, estava bem condicionada. Apenas havia duas entradas para a Feira, de quem vinha de cima e de quem vinha do Marquês de Pombal, de resto.. nickles. Cada entrada tem o oficial e temos sempre uma entrada para um lado e uma saída por outro e eles andam constantemente a assinalar que não se pode andar de um lado para o outro. Temos de sair por um sítio apenas e entrar por outro. Não há cá misturas, agora somos como a água e o azeite. Para além disso, também estão a controlar as entradas e saídas ao ponto de se saber quantas pessoas estão na Feira porque a feira, estando focada naquele espaço do Parque Eduardo VII ela tem limite de pessoas e eles levaram muito a sério o trabalho deles em relação a isso.

No último dia que fui à feira acabei por almoçar por lá. Tive a oportunidade de poder comer alta pizza e ainda beber daquelas Coca-Colas que eu tanto amo e para finalizar um grande gelado Magnum de Chocolate Branco, o meu favorito dos clássicos. 

Acredito que a feira não tenha tido tanto lucro como poderia ter tido se não estivéssemos em tempo de pandemia, mas ao mesmo tempo não podemos esperar outra coisa, os lucros das famílias também estão eles muito desfasados e é normal que acabem por se sentir assim porque... como gastar dinheiro na feira se nem conseguimos gastar em outras coisas que são consideradas bens-essenciais? Ouvimos todos os dias como as coisas estão difíceis e claramente que isso também acabou por afetar os lucros da feira. No entanto, acredito que tenha sido um sucesso.

Também não nos podemos esquecer que dia 28 de agosto foi aberta a Feira do Livro do Porto e, portanto, as editoras andaram a desdobrar-se para poderem ter tudo pronto em ambas as cidades e conseguirem ter um bom proveito em ambas as feiras.

WhatsApp Image 2020-09-13 at 4.49.39 PM.jpeg

Este ano arrecadei oito livros para a minha coleção. A minha mãe já nem comenta porque sabe que eu não tenho remédio. Só já se preocupa com o facto de eu possivelmente começar a dormir no chão para poder guardar tanto livro.

Este ano foram oito livros. Cinco livros ali da Leya, mais dizendo Casa das Letras, outro ali da Editorial Presença, outro ali da Saída de Emergência e ainda outro da Relógio D'Água.

WhatsApp Image 2020-09-13 at 4.49.43 PM.jpeg

Abri a feira do livro a comprar o Sensibilidade e Bom Senso da Jane Austen. Não era suposto comprar nada no dia 27, mas vi o livro com mais de 50% de desconto e não resisti. Lá fui eu comprar e fazer com que as minhas edições do Orgulho e Preconceito tenham um dos irmãos ao lado. Acabei que o preço, face àquilo que estava não era nada caro! 7€! 60% de desconto. 

Entretanto, apercebi-me que todos os outros livros que quisesse iriam ser os livros da Hora H, ou seja, livros que tivessem mais de 18 meses e que acabariam por ficar a 50% de desconto sobre o valor da capa. 

Assim sendo, acabei por comprar os outros sete livros na terça-feira passada, dia 8 de setembro. Tive um dos momentos like Ricardo Reis e disse mesmo carpe diem e comprei os cinco livros principais da saga do Percy Jackson! Desta forma, acabei por poupar ainda um bom dinheiro porque os livros estavam a 16,90€ e eu comprei todos eles a 8,45€.

WhatsApp Image 2020-09-13 at 4.49.43 PM (1).jpeg

Senti que esta feira foi como uma hipótese de comprar livros daqueles ditos contemporâneos e tal e que são claramente mais velhos que eu. Primeiro tinha sido o da Jane Austen ao preço que foi e entretanto comprei um livro na Saída de Emergência com 28 contos do senhor e fantástico Edgar Allan Poe. Estou apaixonada pela edição e especialmente pelo preço que me saiu! Foi, de todos, o livro mais caro! 12,20€ em vez dos 24,40€ a que estava. Foi o primeiro livro desta feira que acabei por comprar de capa dura e claramente que sei que foi por isso que também acabou por encarecer um bocadinho.

WhatsApp Image 2020-09-13 at 4.49.42 PM (1).jpeg

Por fim, para terminar em grande as minhas compras da dita feira, acabei por arranjar a versão portuguesa do Romeu e Julieta de William Shakespeare. Ao longo dos meus três anos de inglês intensivo na licenciatura tenho vindo a ler bastante Shakespeare, mas quando pensei em ler por fim esta obra... decidi que não queria que fosse em inglês. Queria que fosse na minha língua materna, já tinha lido bastante em inglês sobre a obra em si e excertos e aquilo que queria mais era ver como a minha língua conseguia transformar a língua shakespeariana em algo tão mágico. Já o livro e quando conseguir terão então o meu comentário ao grande romance trágico.

No total desta feira paguei 68,95€, contudo, sem os descontos que aproveitei, teria pago 141,80€ o que resulta numa poupança de 72,85€! É uma grande vitória. 

Foi uma feira diferente. Andei a experimentar desinfetantes, não podia comer enquanto andava e já olhavam de lado quando bebia água. Não voltei a comer Vitacress graças ao que tinha acontecido no ano passado, coisa que não consegui esquecer e tenciono não esquecer, vi as bancas e sorri quando folheava os livros e começava já a fazer planos para comprar livros para o ano que vem. 

Como não amar a feira do livro quando só me faz sentir cada vez mais em casa e quando me faz sentir que consigo mesmo pertencer a algo?

Não fujas! Até para o ano, Feira do Livro. 

6 comentários

Comentar post