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«I am the author of my life. Unfortunately, I am writing in pen and can not erase my mistakes.» - Bill Kaulitz

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09
Jun18

Book Store #325

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Beowulf

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Autoria desconhecida, tradução de Michael Alexander.

Tinha saudades de fazer este tipo de posts, confesso. Normalmente venho com livros mais descontraídos e que são mais ficção e etc, mas neste caso trago um livro medieval e que tem vários pontos interessantes e bastante filosóficos em todo o seu livro.

O livro já por si está dentro de um manuscrito The Beowulf Manuscript e é uma poesia, este poema é das poucas obras medievais que está realmente completo e que portanto é dos poucos que se realmente pode ler na sua íntegra. Este 

Ao longo dos anos, Beowulf era considerado um livro com um texto histórico e ele assim o era encarado, no entanto assim que Tolkien falou sobre o seu real conteúdo acabou tudo por fazer ainda mais sentido e desde então que a obra foi entendida como uma obra literária e não como uma obra histórica.

O manuscrito foi escrito por duas pessoas tanto que é notável a sua diferença do tipo de escrita. Beowulf é um manuscrito escrito em inglês medieval, o mais conhecido como Old English e foi redigido em Inglaterra. Contudo, as suas primeiras traduções para as línguas modernas foi para o Dinamarquês, especialmente porque toda a ação de passa nos países nórdicos e nem uma vez se menciona Inglaterra. Contudo é precisamente inglês. Dinarmaca fá-lo especialmente pelo teor épico que a obra tem e que na época acabou por ser bastante importante para conseguir enaltecer a própria nacionalidade dinamarquesa (como os portugueses fizeram com Os Lusíadas). 

Beowulf realmente tem uma componente épica, mostrando a importância da bravura do herói e de todo o seu poder e de como ele constrói tudo à sua volta com base nisso mesmo. Se por alguma vez o herói falhar, tudo começa a desmoronar. É nesse tom que o livro se centra muito e daí que se tivesse pensado que o manuscrito tinha um teor histórico. Porém é com Tolkien que acabamos por encontrar tons elegiacos em toda a obra medieval. Toda a obra é um lamento à efemeridade da vida e de como tudo acaba por acabar, como a roda da fortuna.

É bastante representativo esse tom elegiaco, especialmente porque a forma como começa a obra é a forma como termina, diferentes personagens, ações idênticas, o que transmite a sensação de que ao fim ao cabo vamos todos acabar por morrer, independente da forma como acabamos por definir o caminho das nossas vidas.

Tolkien afirma-o e muito bem de que para ler Beowulf e para o interpretar o mais importante é referir sempre e interpretar os monstros que o próprio persongem Beowulf combateu ao longo das obras. São apenas três monstros, no entanto, mesmo sendo eles criaturas, todos acabam por ter um motivo bastante plausível e bastante humano para quererem atacar os humanos. Por exemplo, o primeiro monstro Grendel ataca simplesmente porque eles estão a fazer muito barulho no salão; a mãe de Grendel ataca para vingar o filho e o dragão acaba por atacar porque entraram na sua gruta onde continua o seu tesouro. São motivos totalmente humanos se formos a ver ao fim ao cabo acaba por ser quase uma crítica à sociedade medieval por tudo o que faz e por todos os queixumes. 

É bastante interessante de se ver se formos a ver este tipo de coisas mais aprofundamente. Todas as batalhas ao longo da obra acabam por ser mais complicadas e todas em diferentes fases da vida do próprio protagonista, o que de certa forma volta a referir a efemeridade da vida e do ciclo da mesma. Assim como o facto de Beowulf se defrontar pela última vez com um dragão. O dragão acaba por ter uma mitologia na época medieval assim com a serpente de que o fim da vida está próximo, acaba tudo por ser um presságio para o que está para a acontecer.

O livro é rápido de ser, no entanto, tem de se estar no mood para se conseguir ler este tipo de livros e de o entender porque não havendo uma tradução para o português oficial, acabamos apenas por conter a tradução tanto de Tolkien ou até de Michael Alexander e que por muito que sejam fantásticas e muito boas, acabam sempre por nos fazer perder face à dificuldade que é ler o Old English em inglês moderno.

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