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Attention

«I am the author of my life. Unfortunately, I am writing in pen and can not erase my mistakes.» - Bill Kaulitz

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19
Ago18

Book Store #342

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Julieta

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Autoria de Anne Fortier.

Quando penso em livros cujo tema remete aos apaixonados Romeu e Julieta de Shakespeare, sei de antemão que as coisas não estão destinadas a correr bem. Claramente não é isso que se pretende com este tipo de livro, quer seja realmente a história deles, quer seja um remake ou ainda pessoas que acabam por afirmar que são antepassados de ambos, acabamos sempre por ver o mesmo desfeche. 

Esta história e pela sua sinopse tinha de tudo para que fosse um livro simples, claro, misterioso, cheios de relíquias do passado e ainda com um final feliz que poderia ser verdadeiro ou então era simplesmente um engano para que os leitores comprassem os livros e depois acabassem por ver que, independentemente de quantas vezes as história se repetisse, acabaria sempre por ter o mesmo final. Ambos acabariam por morrer de uma forma demasiado sofrida e acabariam por ficar juntos num outro mundo e sem a família de ambos a separá-los daquilo que eles mais queriam no mundo: ficar juntos

Julie Jacobs é a protagonista deste livro, ou melhor dizendo, Julieta TolomeiAnne Fortier modificou a história tão bem conhecida de Julieta Capuleto e de Romeu Montecchio, afirmando que eles eram a versão de Shakespeare e que, na verdade, o próprio poeta acabou por se basear em Julieta Tolomei e Romeu Marescotti. Assim, a história não se passa em Verona, mas sim em Siena. Anne Fortier fala exatamente dos factos reais que busca exatamente para escrever a sua história nas Notas no final do livro, referindo-se ao Romeu e Julieta de Siena, que bate mais concretamente com a história aqui presente no livro. No entanto, o próprio livro refere-se também à história contada de Shakespeare

Querendo apenas falar unicamente da história: é tudo bastante complexo na verdade e bastante complicado de explicar e quero falar da história em si antes mesmo de criticar o que quer que seja, preciso que estejamos quase no mesmo pé de igualdade para entenderem o meu ponto de vista que acabarei por marcar.

Como foi afirmado, Julie Jacobs ou Julieta Tolomei é a grande protagonista deste livro e tudo começa quando de repente a sua Tia Rosa, a única pessoa da sua família que tinha nos Estados Unidos, sem ser a sua irmã gémea, Janice Jacobs, ou melhor dizendo Giannozza Tolomei, acaba por morrer durante o sono. Quando a trágica morte abate sobre as irmãs Jacobs, ambas acabam por se separar por momentos. Janice acaba por ser a mulher extrovertida e que apenas quer aproveitar a herança que lhe foi dada pela Tia após a sua morte. Porém, Julieta tem realmente uma missão. O facto de não ter aparecido no testamento acabou por se perceber mais tarde quando a própria acabou por receber uma carta através do cuidador da própria tia, Umberto, que afirmava que ela teria de ir para Itália e ir para Siena encontrar aquilo que a mãe andava à procura.

Com tais descobertas, Julieta abandona os Estados Unidos e voa para Itália para começar aquilo que a sua mãe tinha deixado antes de morrer quando ela e a sua irmã gémea tinham apenas três anos de idade. No entanto, as coisas não correm da melhor forma, especialmente quando Eva Maria Salimbeni e Alessandro Santini entram na sua vida. Tudo acaba por se complicar a partir daí. Por um lado, Alessandro Santini era um chefe da guarda; o que significava por outros lados que ela teria de provar para o próprio que era Julieta Tolomei, porque em outras circunstâncias, ela teria de voltar para os Estados Unidos, face ao registo criminal de Julie Jacobs. Por outro, Eva Maria Salimbeni era  uma mulher com quem Julieta não devia interagir: em Shakespeare, os Capuleto e os Montecchio era os rivais, neste caso os grandes rivais eram na realidade Tolomei e Salimbeni. Marescotti era a família de Romeu e ele não intercedia por nenhuma das duas famílias, no entanto, as três entraram em guerra, quando Romeu e o grande pai de Salimbeni pediram a mão de Julieta em casamento. A guerra começou aí. Assim sendo, Eva Maria estava na família rival tradicional de Julieta.

Julieta precisava de encontrar os documentos guardados da mãe para conseguir finalmente meter mãos ao trabalho e terminar aquilo que ela tinha começado, no entanto, não era fácil. Assim que as pessoas descobriram que ela estava em território italiano e ainda mais em Siena, tudo começou a ser diferente. De repente, ela própria via-se em casa de parentes que não fazia ideia de que estavam vivos, dáva-se com Eva Maria com a desculpa de que já não havia rivalidades entre a família após seiscentos anos e ainda havia o problema da justiça que andava atrás dela. O pior era descobrir que afinal os pais não tinham morrido da forma que ela achava que tinham morrido e saber que a possibilidade de ter sido um Salimbeni era elevada: independentemente de tudo o que Eva Maria lhe dissesse, parecia que as provas estavam contra a sua palavra e Julieta afundava-se em dúvidas em relação a tudo.

Conforme ia descobrindo mais coisas, Julieta vê-se cada vez mais em perigo. Ao longo do tempo vê-se a ser perseguida por alguém na moto, o seu quarto de hotel era vandalizado e nem conseguia realmente ter os próprios bens da mãe a salvo.

No entanto, no meio de todo este mistério, uma coisa ela tinha a certeza: ela era a antepassada da própria Julieta que tinha originado a história tão bem conhecida de Shakespeare. Porém, uma pergunta mantinha-se sempre à tona: se ela estava lá, onde estaria Romeu? Quem a iria acordar e quem, de certa forma, a ajudaria a terminar a maldição que estava sobre eles há seiscentos anos?

Anne Fortier para compreendermos mais o que aconteceu há seiscentos atrás e para entendermos melhor as maldições que acabaram por cair sobre as três famílias: Tolomei, Salimbeni e Marescotii - a própria, durante todo o livro, descreve-nos os acontecimentos, através de um diário de uma das personagens, por nos contar a história dos primeiros Romeu e Julieta da grande história. 

Dito desta forma, parece misterioso e complexo, eu sei. Parece ser interessante, no entanto, confesso que as coisas começam a baralhar a mente de uma pessoa logo desde o início. Julieta nos Estados Unidos ajuda pessoas com peças de teatro cujo tema é Romeu e Julieta de Shakespeare e portanto desde cedo acabamos por receber uma grande quantidade de tópicos em relação à versão Shakespeariana. No entanto, quando a própria descobre o diário, acabamos por ser atraídos para três mundos diferentes. O mundo real onde está Julieta Tolomei, a protagonista do livro e que está a tentar terminar o que a mãe deixou por terminar; o mundo fictício baseado em coisas reais de Shakespeare; e no final o mundo real no passado onde Julieta Tolomei está em Siena de 1340

Com três mundos totalmente diferentes nas suas diferentes épocas e costumes a convergirem para o mundo presente acaba realmente por ser bastante denso, complexo e confuso. Confesso que comecei apenas a achar que o livro começava a entrar nos eixos quando ele estava a duzentas páginas de terminar. Os capítulos são grandes graças a toda a história de 1340 e o facto de que essa história esteja a ser contada na terceira pessoa e que a história em si esteja a ser contada na primeira pessoa (do ponto de vista da própria Julieta) acaba por baralhar uma pessoa.

Esta confusão pode acentuar-se por dois factos: pelo facto de o capítulo estar dividido ao longo das suas quinze páginas e depois porque todos os nomes são iguais, independentemente da era em que estejamos a ler: se estivermos em Siena de 1340, continuamos a ter a Julieta Tolomei apaixonada pelo Romeu Marescotti. Se formos para a Siena do presente, acabamos por ver Julieta Tolomei apaixonada pelo Romeu Marescotti. 

Um outro ponto a salientar no livro em si é que se baseia bastante no amor de Romeu e Julieta do século XIV, mas acabamos por não ver uma grande cumplicidade e paixão entre os dois personagens quando ambos estão no presente da história. Parece que é tudo colocado de lado para se falar no amor que se teve no passado e claro o mistério por detrás das coisas que a mãe tinha deixado paras as duas filhas gémeas. Portanto, acabei por me sentir bastante triste quando acabei por me aperceber que afinal que aquilo é que era o amor que Romeu e Julieta sentiam no presente. Sente-se o amor arrebatador e tão intenso entre as personagens de 1340 e a autora fê-lo bastante bem! No entanto, ao longo do tempo, acabou por se esquecer, a meu ver, de demonstrar exatamente essas emoções nos personagens do presente.

Não quero ser repetitiva, no entanto, volto a afirmar que o livro a meu ver é confuso como tudo. Em questões temporais (de repente estou em Shakespeare, de repente estou no diário dos factos reais e de repente já estou no presente da história) e não só. Para além dos nomes dos personagens e isso confundir-me em termos temporais, acabo por me baralhar face à marosca que a própria escritora inventou para conseguir dar um significado a tantas coisas. O Frade que ajudou Julieta e Romeu há seiscentos anos atrás; o próprio Umberto que afinal não era simplesmente um ajudante e nem mesmo a Tia Rosa estava completamente intacta, mesmo depois de ter morrido a dormir, os pais das duas gémeas que afinal não eram totalmente aquilo que lhes diziam. 

Há formas de se fazer as coisas e, de facto, não gostei lá muito da forma de Fortier de organizar o livro. Confesso que gosto quando o autor troca as voltas aos próprios leitores, no entanto, quando o próprio livro já é confuso e quando se confunde ainda mais o leitor com trocas e mais trocas entre as verdadeiras intenções dos personagens... isso torna-se realmente cansativo e uma pessoa apenas quer despachar o livro e ver quando é que ele se torna mais fluído e compreensivo.

A fluidez no meu caso veio a duzentas páginas do fim... a compreensão, acho que veio tarde demais.

Acho que ficou demasiado grande esta minha opinião, mas outra vez, queria que entendessem os meus pontos de vista face a tudo o que acontece neste livro e com base nas próprias ações que acontecem no livro. Contudo, ao analisar as coisas aos poucos e mesmo sendo confuso compreende-se o que se quer (mesmo que não seja isso que nós esperemos de uma leitura) do próprio livro e no meio de tanta coisa que eu acabo por não gostar, posso retirar de lá uma boa história e a parte histórica do século XIV está bem contada. No entanto, no meio do enquadramento, o livro todo acaba por pecar em termos de organização da informação.

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