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Attention

«I am the author of my life. Unfortunately, I am writing in pen and can not erase my mistakes.» - Bill Kaulitz

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«I am the author of my life. Unfortunately, I am writing in pen and can not erase my mistakes.» - Bill Kaulitz

19
Nov18

Book Store #354

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Brave New Word

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Autoria de Aldous Huxley

Antes de mais nada, quero já deixar bastante claro que não gostei deste livro. Não gostei dele e sinceramente acho que vão ser poucas as pessoas que poderão mudar a minha opinião em relação ao mesmo. Também duvido muito que com o tempo acabe por realmente entender o próprio livro de uma outra forma, porque ele simplesmente não chegou a mim.

Gosto de livros que me toquei e que cheguem a mim através da sua autenticidade e pelo facto de serem únicos e conseguirem realmente tocar em pontos interessantes ao ponto de me tocarem realmente: este livro tem de tudo para ser único, tem de tudo para ser autêntico. Contudo, não encontro nada, mas nada que me diga que o livro me tocou.

Começando do início, antes de continuar a atacar a obra. O livro é uma distopia. Está na cara que o é e pela forma como termina, tem realmente de tudo para ser o ser. É realmente uma utopia falhada em todos os sentidos da palavra. Realmente conseguimos ver isso através de uma sociedade que está realmente muito mais avançada do que a nossa de hoje em dia e que acaba por ter outro tipo de mentalidade. A grande parte da história centra-se em Londres e podemos também falar disso um pouco. 

O próprio autor escolhe a cidade de Londres, a capital do seu país de origem, mas que acaba também por ser uma grande potência nos dias em que ele próprio escreveu o livro e isso por si só dá a resposta do porquê de termos uma sociedade superior à nossa em vários pontos.

Assim sendo, esta sociedade vira-se essencialmente para outro tipo de elementos. Um dos pontos que eu tenho de reforçar é que nesta grande ideologia de sociedade vemos uma comunidade que não apoia de todo a familiaridade nem a relação entre pais e filhos. Ou seja, aquela relação familiar criada desde nascença não existe e não pode existir dentro da sociedade: tanto que quem o fizer, acaba por ser considerado selvagem e está dentro de uma reserva de selvagens, onde eles vivem de uma forma estranha (que é o mesmo que dizer que vivem em comunidade, mas de uma forma mais sentimental, como nós).

Esta história contém este ponto importante em toda a história. A sociedade está dividida hierarquicamente e é nesse contexto que acabamos por conhecer os diversos protagonistas que nos acompanham ao longo do livro. Bernard é um dos personagens mais falados na primeira parte do livro: quando falamos dele parece realmente que ele é que vai ser o grande herói desta mesma história e que ele é que vai salva toda a gente desta grande comunidade distópica. Acontece que as coisas não são  que aparentam ser: Bernard está no topo da hierarquia, mas ele é realmente um estranho. É diferente de todos aqueles que partilham o mesmo estatuto e ele utiliza exatamente essa diferença para conseguir manter-se são. Contudo, tudo muda a partir do segundo livro quando vemos que começa a ganhar mais importância o ponto de vista dos selvagens, nomeadamente de John. Quando Bernard finalmente entende quem são os selvagens e acaba por conseguir levá-los para a comunidade que ele sempre conhecia, o próprio acabou por se tornar o tal famoso. Ao tornar-se famoso e agora então digno do seu estatuto, tudo o que lhe definia tinha acabado de morrer, ele não conseguia manter-se são dentro desta sua nova faceta, porque ele era igual a todos os outros.

Assim sendo, ele deixa de ser o tão esperado herói e no fim damos de caras com John. John o personagem que veio dos selvagens e que adora ler (um dos pontos proibidos da própria sociedade de Bernard devido ao programa de condicionamento que todos acabam por sofrer  e que reforça que as leituras são más porque quem o fizer, terá realmente motivo concreto e pensamentos contraditórios àqueles que existe na sociedade existente.

John é um personagem bastante perdido ao longo do tempo. A sua mãe era da sociedade de Bernard e não se sente confortável o suficiente para conseguir realmente afirmar que John é seu filho ao ponto de conseguir ter uma grande ligação com ele, ao contrário do que é para John. Para ele, ela é realmente a única pessoa que nunca o abandonou. Era o seu ponto de abrigo e como tal acaba por ser uma outra perspetiva da mesma relação. Com a mudança súbita de preferência no ponto de vista, acabamos por pensar realmente que John é então nosso herói da história. Deixando assim, Bernard quase de lado no meio desta história toda. Assim sendo, John tornar-se então o herói expectável no meio desta história.

Este livro tem mesmo aspetos mesmo importantes e que acabam por ser fascinantes quando abordados como deve ser, o que para mim não foi o caso. Reforço de novo, não gostei do livro. Não gostei do facto de ter ficado sem saber realmente quem era o herói da história e para no final de tudo acabar por entender que não havia mesmo nenhum no meio disto tudo. O livro é confuso para mim, deixei de entender a relevância do Bernard logo a seguir a ele ter finalmente ter entrado em contacto com os selvagens. Deixei de entender o lado do John depois da explosão que ele teve com a Lenina, por muito que fique explicito que foi por causa dos condicionamentos relacionados com a nova sociedade. Os personagens que apareceram e que deixaram de ser importantes logo no momento a seguir, mesmo quando o próprio autor acaba por lhes dar um ênfase tão grande ao ponto de dar a entender que eles serão realmente um dos pontos que temos de ter em conta na nossa leitura.

Tinha mesmo de tudo para ser um bom livro, tinha mesmo! Contudo, desiludiu-me bastante ao ponto de ter demorado imenso tempo a ler o livro. Basicamente desde setembro que andava com ele de trás para a frente porque não conseguia terminar. É grave quando eu sei que tenho de me forçar a ler o livro até ao final e ainda por cima quando não estou a gostar. Forçar-me a terminar o livro é uma das coisas mais difíceis de se fazer e neste foi um desses. Digo mesmo: não gostei.

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