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Attention

«I am the author of my life. Unfortunately, I am writing in pen and can not erase my mistakes.» - Bill Kaulitz

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«I am the author of my life. Unfortunately, I am writing in pen and can not erase my mistakes.» - Bill Kaulitz

Sab | 09.11.19

Book Store #405

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Vox

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Autoria de Christina Dalcher.

Quando me contaram sobre este livro fiquei curiosa pelo simples facto de o grande conceito ser na base de as mulheres não poderem falar. Tecnicamente, elas tinham 100 palavras por dia e tinham de as usar bastante bem para conseguir usá-las durante o dia inteiro.

Jean é a personagem principal do livro, é uma mãe de dois filhos e é casada. Tudo é complicado na sua vida por vários motivos. Primeiro, é difícil de educar os seus filhos quando não se consegue falar, depois é complicado acreditar que apenas tem aquele número limitado de palavras por dia enquanto que ela era uma cientista, uma doutora nos tempos antes da própria lei. 

O governo tomou a liberdade de fazer um dispositivo em formato de relógio para fazer a contagem decrescente das palavras das próprias usuárias. No entanto, as coisas não pararam por aí, quando se deram conta, já tinham perdido os seus trabalhos e as suas filhas não eram mais obrigadas a ler nem a escrever. 

Estes feito mostram exatamente as intenções do governo em querem que os homens tomem conta do país e que haja um controle perfeito da sociedade. As mulheres voltam a ter um papel redutor na sociedade e simplesmente cumprem os seus deveres enquanto mulheres e donas de casa, acatando as ordens dos maridos, sem fazer perguntas e tentando ajudar os filhos.

O relógio tem um grande sensor. Esse sensor não determina as palavras apenas que elas dizem, mas sim os momentos que acabam por formar palavras como por exemplo escrever uma carta ou até mesmo no computador. A linguagem gestual também está pronta para que seja descontada no próprio relógio. O que acontece quando se chega ao limite? São emitidos vários choques para o usuário, para que a pessoa se controle mais e que não diga mais palavras.

Contudo, as coisas mudam quando precisam da ajuda de Jean. Nesse momento as coisas começam a mudar radicalmente. Jean só aceita ajudar se lhe tirarem a pulseira durante o período de tempo em que estiver a trabalhar e a mesma coisa em relação à sua filha mais nova, Sonia. O governo aceita, mas não é fácil. O filho cada vez mais está ligado às novas ideologias do governo e o marido já não parece ser aquele com quem ela tinha casado.

A história é diferente daquilo a que estou habituada a ler. A verdade é que todo o livro deixa exatamente um grande sentimento de revolta perante o governo. É um livro distópico muito revoltante exatamente pelas ordens autorizadas. Sendo eu mulher é mesmo muito revoltante a forma de agir da sociedade face às mulheres e isso deixa-me mesmo irritada.

Irritada de pensar em como as mulheres eram oprimidas ao ponto de sofrerem consequências físicas caso violassem os acordos propostos e ninguém poderia fazer nada. É simplesmente ultrajante. 

Acho que é um dos grandes tópicos que se queria atingir no livro. Queria que fosse revoltante e que mostrasse como este mundo distópico poderia ser realmente um grande mundo oprimido, que dava grande valor aos homens sem qualquer tipo de condições de vida para as mulheres. A história é intensa e, de facto, várias são as vezes em que ficamos sem ar. 

Está bem escrita o que ajuda a conseguir transmitir os sentimentos de ultraje. Toda a história faz sentido e deixa-me contente com isso. Ao longo do tempo, vemos o desenrolar da história da protagonista e no desenvolvimento da personagem durante todos os seus conflitos naquela que é uma sociedade distópica.